Publicamos aqui a entrevista cujas questões foram enviadas por escrito aos candidatos da Chapa 1 à Reitoria da UFSM, que tem o professor Felipe Mùller como candidato a reitor e Alessandro Dal’Col como candidato a vice-reitor.
O processo de escolha à reitoria ocorrerá através de uma Pesquisa de Opinião à comunidade universitária, no próximo dia 25 de junho. A votação se dará por processo eletrônico e o peso do voto é paritário entre os segmentos.
As questões encaminhadas pela diretoria do Sinasefe de Santa Maria, e também enviadas pela base de filiados/as da carreira EBTT, totalizam nove, e versam sobre o que os integrantes da chapa pensam sobre temas como:
– Políticas para a Educação Profissional da UFSM; as propostas para a saúde mental de docentes e discentes; política de acompanhamento para o ensino noturno; propostas para a educação básica; a formação dos TAEs; o que se pensa sobre a coordenadoria de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico da UFSM e também sobre o controle de frequência através do ponto eletrônico, entre outros aspectos.
Veja quem são os candidatos
Felipe Martins Müller é graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente, é professor Titular da UFSM, lotado no departamento de Computação Aplicada do Centro de Tecnologia. Foi vice-reitor da instituição entre 2006 e 2009 e reitor entre 2010 e 2013.
Alessandro Dal’Col Lúcio é graduado em Agronomia pela Universidade Federal do Espírito Santo e atualmente lotado no departamento de Fitotecnia da UFSM. Também ocupa a direção do Centro de Ciências Rurais (CCR) da UFSM.
Acompanhe a íntegra da entrevista abaixo:
Pergunta- Qual o planejamento da gestão para as políticas de Educação Profissional da UFSM?
Resposta– Nosso planejamento valoriza a Educação Profissional e Tecnológica como eixo estratégico da UFSM. Pretendemos fortalecer a integração entre os campi e unidades de ensino técnico, garantindo orçamento específico, apoio pedagógico e institucional. A meta é consolidar os cursos técnicos integrados, concomitantes e subsequentes com foco na verticalização do ensino e diálogo permanente com o setor produtivo e social. A EBTT será valorizada como parte essencial da missão da UFSM.
Pergunta- Quais as ações para o acesso, permanência e êxito na Educação Profissional e Tecnológica (EPT)?
Resposta– Ampliaremos as políticas de assistência estudantil nos campi que ofertam EPT, com foco em transporte, alimentação, moradia, inclusão digital e apoio pedagógico. Propomos reforçar os núcleos de acompanhamento psicossocial e pedagógico, além de parcerias com instituições locais para inserção de estudantes em estágios e projetos. Defendemos políticas afirmativas no ingresso e o acompanhamento de egressos.
Pergunta- Quais as propostas para prevenção da saúde mental dos docentes e discentes em cada centro de ensino da UFSM?
Resposta– Propomos estruturar Núcleos de Apoio Psicossocial nos centros e campi, com equipe multiprofissional, para ações preventivas e atendimento contínuo. Valorizaremos campanhas permanentes de saúde mental, formação para servidores, e criação de espaços de escuta e acolhimento. A saúde mental será política institucional, com orçamento, planejamento e avaliação constante.

Pergunta- Qual a política de acompanhamento do ensino noturno na UFSM?
Resposta– Defendemos um plano específico para o ensino noturno, com infraestrutura adequada (segurança, iluminação, alimentação), transporte público compatível, e ampliação dos serviços de apoio pedagógico e psicossocial no turno da noite. O ensino noturno não pode ser marginalizado: precisa de políticas específicas e diálogo com os estudantes e docentes.
Pergunta- Qual a proposta para a Educação básica, em nível de ensino médio (integrado ou não) e Educação Infantil?
Resposta- A proposta é garantir condições plenas para o funcionamento da Educação Básica, com equipes completas (psicólogos/as, assistentes sociais, educadoras) e plano pedagógico institucionalizado. Apoiaremos o ingresso por políticas afirmativas e ampliaremos ações de permanência com assistência estudantil. A UFSM precisa reafirmar seu compromisso com a formação básica, crítica e cidadã.
Pergunta- Como será organizada a formação dos TAEs após a nova lei?
Resposta– Criaremos um Plano de Desenvolvimento de Pessoas (PDP) construído com os TAEs, com ações de capacitação, formação continuada e incentivo à qualificação conforme a nova legislação. A política de formação será descentralizada, com apoio financeiro e compatível com as demandas locais. Defendemos a valorização da carreira e do saber técnico como fundamentos da UFSM pública e democrática e mais acolhedora.
Pergunta- O que se pensa sobre o papel da Coordenadoria de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico no âmbito da UFSM? Como será feita a escolha do/a representante?
Resposta– Acreditamos que a Coordenadoria deve ter papel estratégico na articulação e fortalecimento da EBTT, com autonomia e diálogo com os campi. A escolha da coordenação deve ser democrática, com consulta ampla à comunidade EBTT. Defendemos a valorização da instância como interlocutora legítima entre a gestão e os setores do ensino básico e técnico.
Pergunta- Quais as perspectivas do controle de frequência, particularmente a dos/as professores/as do EBTT?
Resposta- Para nós, a autonomia docente deve ser respeitada, priorizando a atividade acadêmica e pedagógica. Esta questão não pode estar dissociada da natureza do trabalho do/a professor/a EBTT, respeitando a legislação, mas evitando mecanismos punitivos. Defendemos o diálogo e entendemos como justificadas as razões da categoria no que diz respeito à dispensa do ponto. É importante destacar que o fim do controle de ponto para os docentes EBTT foi acordado na greve de 2024, aguardando apenas ato do Executivo Federal para tal.
Pergunta- Qual o entendimento do papel da Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD)? É um órgão apenas consultivo?
Resposta- A CPPD é um órgão essencial à gestão democrática da carreira docente. Embora consultiva formalmente, seu papel deve ser respeitado como instância de deliberação técnica e política sobre temas fundamentais como progressão, avaliação e alocação de vagas. Defendemos a autonomia da CPPD e o fortalecimento de sua atuação institucional.
Edição: Fritz Rivail
Fotos: Arquivo pessoal